sábado, 2 de julho de 2011

Amor pela grana

O filme começaria às 17e20, cheguei em casa às 16e40. Caminhei até ao cinema, que é perto, uma caminhada que não se faz, no Recife, pois perdemos a cultura do espaço público - isso quem diz é Bauman. Zygmunt Bauman me diz - nas minhas palavras isso - que a cultura do medo é agradável aos gestores da coisa pública, pois as ruas ficam vazias, a população cuida da sua própria segurança, o estado se exime. E com o medo das ruas, perdemos a cultura do encontro, a cultura que se desenvolve nos espaços públicos. Cheguei ao cinema e comprei o ingresso, e como não uso medidor de tempo, pensei que já estaria na hora mesma de entrar na sala, mas que nada, ainda eram 17 horas. Meia-noite em Paris, Woody Allen. Entrei e assisti e gostei, gostei com numerosas ressalvas, e observo:

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1 - A sala estava cheia, mas quem realmente conhecia todos aqueles personagens, aqui, naquela sala? Quem ali já leu um poema de Eliot ou viu uma foto de Man Ray? Quem sabe ali quem foi Gertrude Stein e leu algo dela ou sobre ela? Quem ali já leu Hemingway ou Scott Fitzgerald?
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2 - O diretor consegue transformar uma moça que eu gostava (ou gosto) em uma pessoa chatinha, Rachel McAddams, e consegue transformar um cara que me era anódino ou insuportável, em um cara simpático, Owen Wilson.
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3 - Em que medida se vai dizer que esse filme é "um hino de amor à Paris", esse chavão, e em que medida isso só tem a ver com a grana? Não era New York a cidade amada por Woody Allen? E não foi Barcelona e o modo de vida espanhol digno do mesmo "hino" graças aos financiamentos europeus? A mim, parece que esses hinos são falsos, movidos por quem paga mais ou melhor. É um bom filme, uma fraca comediazinha romântica com ares intelectuais, fácil de fazer, fácil de consumir, movido pelos financiamentos. Um amor venal.
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4 - Se o personagem conclui que a "época boa" é a sua própria, evitando o deslocamento no tempo, por que não evita também o deslocamento no espaço e descobre que o "lugar bom" é o seu próprio original, a California ou algo assim?
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5 - Para o pouco que a minha ignorância conhece de Gertrude Stein, o búfalo da Rive Gauche, ela foi retratada boazinha demais, mãezinha demais, não bate nem mesmo com a Gertrude descrita por Hemingway no famoso livro citado no filme e do qual o filme tira muito das visitas de Hemingway a Gertrude. Gertrude era uma grossa. Aliás, as cenas de Scott e Zelda são praticamente copiadas das observações de Hemingway.
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6 - Hemingway, Picasso, são muito caricaturais, deve ser intencional, mas me agrada a caricatura de um Hemingway buscando a sinceridade absoluta, a frase despida, a linguagem direta.
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Enfim, um filme irregular, fraco, mas acima da média, e claro, acima de qualquer xis-mens e transformadores.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

No jornal

Rosenilda da Silva Alves, 32 anos,
foi presa na última segunda-feira,
acusada de matar a própria mãe
após uma discussão fútil
durante o final de semana.
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No Sertão de Pernambuco.
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De acordo com a polícia, a discussão começou
quando a mãe, Maria Pastora da Silva,
de 82 anos,
teria pedido à filha para baixar o volume
do equipamento de som.
Irritada, Rosenilda
pegou um prato de vidro
e quebrou na cabeça da mãe.
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Maria Pastora da Silva, 82 anos,
foi socorrida por vizinhos,
mas não resistiu e morreu.
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Rosenilda foi encaminhada a um presídio
também no Sertão de Pernambuco.
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Um dos vizinhos, Seu Antônio, disse:
Cachaça. Foi cachaça.
O povo não sabe se divertir sem bebida.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Czech Republic

Preparação para pedalar na Czech Republic, encontrei no Lonely Planet:
"Praga tem um longo caminho pela frente antes de se tornar uma cidade amiga do ciclismo como são as grandes cidades da Alemanha ou mesmo Viena. Entretanto, há grupos de ciclistas trabalhando para promover coisas como a ida ao trabalho de bicicleta, o aumento na extensão das ciclovias e uma maior consciência dos motoristas. Tais esforços já estão dando frutos. Praga tem agora uma relativamente completa rede de ciclovias, porém ainda desarticulada. As ciclovias são sinalizadas com placas amarelas, cruzam o centro da cidade e espalham-se em todas as direções. Se você for um ciclista de pedaladas leves, provavelmente gostará de acompanhar um bike-tour guiado oferecido por uma das companhias de aluguel de bicicletas da cidade. Se você é um ciclista mais dedicado, considere comprar um bom mapa, alugar uma bicicleta e pedalar pelas trilhas em torno da cidade por um dia ou dois. As melhores trilhas de ciclismo são as que seguem para o Norte da cidade, seguindo o Rio Vltava em direção à Alemanha. No futuro, a rota ciclística Praga-Dresden será uma realidade, mas por enquanto há ainda significativos trechos incompletos no caminho. Para conhecer parte desta rota, você pode seguir o Vltava por ciclovias até a cidade de Kralupy (a 20km de Praga; é possível voltar de trem com a bicicleta). De Kralupy, você pode continuar seguindo o rio por estradas vicinais até Melnik. Existem muitas pontes e balsas para atravessar o rio e algumas trilhas bem legais levando para o interior do país ao longo do caminho. Para fazer essa rota a partir do centro de Praga, passe pela ponte Cechuv e siga em direção ao Zoo de Praga. As trilhas na margem do rio seguem na direção norte após o Zoo.
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Muitas livrarias vendem mapas para cicloturismo (cycloturisticka mapa, em checo). Um dos melhores mapas é o "Praha a Okoli" (Praga e Arredores; 1:75000), que custa cerca de 15 reais. Outra boa escolha para se guiar à noroeste da cidade é "Z Prahy na Kole, Severozapad" (Arredores de Praga de Bicicleta, Noroeste; 1:65000), que custa cerca de 8 reais.
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Lembre-se de levar água e protetor solar e mantenha-se atento aos automóveis."

domingo, 26 de junho de 2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

KGW-0200 - Animaltorista

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Este animaltorista da SUV de placa KGW-0200 estaciona a bosta do carro todos os dias em local proibido da Rua do Futuro, provocando enormes engarrafamentos na rua. É claro: a cidade pertence a ele, unicamente.
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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Bela bicicleta com caixote

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Bicicleta com caixote de plástico na frente para poder transportar muuuitas coisas. Amsterdam, junho, 2011. 
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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Bicicletando Países Baixos

Então, eu tava revendo os caminhos que percorri com Eliane, de bicicleta, na província da Holanda do Norte, para calcular a quilometragem, curiosidade, já que quando lá a gente não cuidou de marcas, só de pedal. Duas pedaladas foram essas que segue.
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Nesse dia, uma pedalada de 50 km subindo (e descendo) o Rio Amstel.
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Nesse outro dia, uma pedalada de 65 km, conhecendo cidades à beira do mar interior holandês.
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terça-feira, 14 de junho de 2011

Desenho 20110513

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Coisas simples, um desenho, outros desenhos, semana de trabalho, fotografias, preparação para a próxima viagem. Objetivo, Czech Republic, República Tcheca. Eu não gosto desse T na frente, mas...
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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pose para fotos em Amsterdam

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Revendo fotos. As galega tudo posando pra retrato na praça dos museus, Museumplein, em Amsterdam. Primavera, 2011.
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