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domingo, 27 de dezembro de 2020

Museu

 Isabel Castellar escreveu:

Museu, sou contra museus, museu em último caso, museu é para dia de chuva ou de neve, inverno no hemisfério norte, temporada de chuvas no hemisfério sul, museu em dia de sol, belo dia de sol, de primavera, outono ou verão, é perda de tempo, é perda de vida, perda da beleza dos dias nas ruas, nas praias. Museu de noite também vale, museu é para de noite. Também, se só tenho aquela oportunidade de ver uma obra famosa, “Moça com brinco de pérola”, sacrifico um pouquinho do ar livre para entrar no museu. Museu é para, no máximo, uma hora, uma hora e meia. Depois disso, a gente não entende mais nada do que está vendo. Museu é para entrar e ver somente uma, duas, três obras importantes, no máximo cinco, degustar de verdade essas tais obras. Entrar e ver um Canaletto, que nem é “artista maior’, ver um Cabanel, que nem é artista maior, museu para ver um quadro só, uma escultura só, de nada adianta ver cem peças de arte, cérebro nenhum, sensibilidade nenhuma suporta isso.

Porque falei em museu, me ocorreu, será que alguém no mundo, alguém de bom senso, alguém que tem um pouquinho de sensibilidade, acha bonita alguma pintura de Tarsila? Tudo ruim, tudo primário, qualquer feira de interior se encontra algo semelhante, infantil. Mas vale milhões. Vá entender.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

canaletto ganha



(peguei as imagens deste post na internet)

quando estive em london london recentemente, a national gallery estava (e ainda está) apresentando uma exposição de pinturas de canaletto (1697 - 1768).
canaletto foi um pintor que se notabilizou por suas pinturas da paisagem urbana de veneza. as imagens que coloquei acima não se aproximam do que é ver um canaletto de pertinho. é incrível o detalhamento da arquitetura e das pessoas nos quadros dele.
eu já gostava de canaletto antes, de ver nos livros de arte. e já havia visto uns poucos canalettos no louvre. então, não poderia faltar nessa exposição em londres.

só que a national gallery fez a exposição chamando-a de canaletto e seus rivais. entao, cada uma das seis salas mostrava quadros de canaletto e quadros semelhantes de algum dos seus rivais. explique-se canaletto teve tanto sucesso com sua pintura que foi muito imitado - inclusive seus rivais vendiam alguns quadros como se fossem de canaletto.

o que acontece é que em qualquer das salas da exposiçao, a gente vê claramente qual quadro é um canaletto e qual não é. canaletto tem um brilho na sua pintura que a torna inconfundível. e a gente que estava lá só se interessava mais pelos canalettos, claro.

os rivais de canaletto perdem feio dele.

daí que a national gallery convidou o ben johnson que também faz - atualmente - pinturas de paisagens urbanas. cidades como liverpool e zurich já foram retratadas por ben johnson. e ele está trabalhando na national gallery para que a gente comum possa ver o desenvolvimento de um trabalho dele. e há alguns quadros dele expostos lá também.

e o que acontece é que ben johnson perde feio para canaletto. em ben johnson vemos uma pintura técnica, perfeita, sem marca de pincel, sem curiosidade, sem anedotas, sem pessoas. uma pintura absolutamente fria, certamente muito inferior ao trabalho de canaletto.

é isso, canaletto surpreende sempre, em cada janela, em cada barco, em cada gôndola que faz, na representação das multidões, onde cada cabeça tem seus traços executados na pintura. um canaletto tem que se ver de longe e depois de muito perto, para conseguir pegar um pouquinho da magistral execução da pintura.

a seguir, uma imagem de quadro de ben johnson que representa liverpool.