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quinta-feira, 24 de setembro de 2020

A concha

De Cézanne, gosto somente das naturezas-mortas e de algumas vistas do Monte Sainte-Victoire. As representações do corpo humano são péssimas. Não sei se ele não sabia mesmo fazer corpo ou se era intencional, no intuito de ser “moderno”. As frutas de Cézanne são vibrantes – embora, de fato sejam bolas coloridas e não frutas. Mas a cor e a composição me agradam. Uma ou outra pintura que retrata Madame Cézanne também me interessam; a mulher parece braba, raivosa e troncuda. Não dá para saber como era a vida a dois, entre eles, mas aquela mulher é assustadora. A grande amizade entre o artista e Zola resultou em uma tela estranha, La pendule noire, que foi pintada na casa do escritor. Não é um dos meus quadros favoritos, é sombrio, e traz aquele elemento – eu diria assustador ou, no mínimo, inusitado – no lado esquerdo, uma grande concha na qual a abertura de entrada está cingida por uma mancha vermelha.

A primeira vez em que vi essa tela foi no Musée du Luxembourg – era uma exposição denominada Cézanne et Paris, composta por telas que o artista pintara na cidade e na Île-de-France. Ao ver a concha, pensei imediatamente no órgão sexual feminino, era uma simbologia óbvia. Recordei, também, que a concha é a proteção do animal, o esqueleto externo, a armadura, o envoltório rígido. Li depois, em algum lugar, que o artista quis representar ali a natureza feminina de Zola. São intepretações apenas. Entretanto, aquela concha sanguínea não está ali por acaso. Chega até a desequilibrar a composição, em alguma medida. A concha me parece, ao mesmo tempo, cérebro, cabeça de animal com a boca aberta e suja de sangue, monstro e órgão sexual. A concha e o vermelho me fazem esquecer o restante dos elementos da composição.

Foi uma sorte ver essa tela ao vivo, visto que ela faz parte de uma coleção particular. Naquele dia no museu, fiz a inspeção geral das obras expostas – estava lá, inclusive, a famosa tela Paul Alexis lisant à Émile Zola, mas essa não me prendeu tanto quanto a outra – e dediquei mais tempo às naturezas-mortas que chamo de “alegres”, em contraposição à tela da concha. Todavia, na maior parte do tempo fiquei preso a esse quadro – ia e vinha e parava em sua frente. Pensava em Cézanne, imaginava histórias, ia para a frente de uma tela que mostrava a robusta e enraivecida Madame Cézanne. Ficou evidente para mim que Cézanne quis destacar a concha e os símbolos, tantos, envolvidos naquela imagem. Somente o próprio poderia nos falar sobre seus pensamentos. Eu via uma imagem sombria, fúnebre, lutuosa, a composição como uma concha geral; e dentro da concha geral, a concha luminosa e sangrenta, a amizade de Émile e Paul, a raiva de Madame, a armadura calcária contra o mundo.

Enfim, La pendule noire é uma tela da qual não gosto, em absoluto, mas que não deixo de revisitar, em pensamento e nas imagens de computador, desde que a vi pela primeira vez, motivadora de uma epifania incompleta, o que é, em si, um paradoxo.



sábado, 21 de janeiro de 2012

David Hockney

David Hockney - um artista do qual gosto muito - está com uma grande exposição de trabalhos recentes - grandes pinturas de paisagens - na Royal Academy of Art. A obra a seguir é de 1971, quando ele morava na Califórnia.
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David Hockney - Portrait of an Artist (Pool with Two Figures) - 1971 - Acrylic on canvas, 214 x 304.8 cm - Collection David Geffen.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Cidade

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Pintura com corretor líquido sobre fotografia, título 20110907, tamanho 18x26cm.
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sábado, 20 de agosto de 2011

Arte contemporânea

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Um portão que, imho, é pura arte contemporânea. Se Marepe pegasse esse portão e levasse para Sumpaulo ia ser um sucesso, valeria milhares. Mas se Paulinho Rafael pegar... vixe.
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Três comentários

Dia comum, bicicleta, bicicleta, trabalho, atelier, bicicleta. Foto da minha mesa com alguns objetos em fase de fazimento. Soldadinhos, tabuleiros, um tipo de xadrez estático, talvez.
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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Brincando de arte ou de soldadinhos sem entender nada

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Cotidiano bicicleta.
Ontem houve chuva e foi esquisito.
De manhã, um vai não vai do tempo, e eu teria um notebook para levar de volta ao trabalho,
então dúvida, terminei chamando um táxi.
Foi impressionante pois, de bicicleta eu praticamente não vejo o engarrafamento,
eu vou passando rapidamente através do engarrafamento.
E de táxi, eu fiquei preso, parado horas, afogado, etc, essas imagens.
Ainda tive que ouvir o motorista dizer que as ruas deveriam ser alargadas,
novas ruas deveriam ser abertas.
Tive a im-paciência de explicar a ele que alargar ruas não é solução, blá, blá, blá.
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Motoristas são pessoas viciadas. Viciados em carro.
Fora do carro, são pessoas extremamente medrosas.
Um motorista na calçada pensa que todos os outros pedestres são assaltantes,
estupradores, assassinos.
Motoristas precisam de sua armadura de ferro para respirar.
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Não compreendo um planeta que depende de motores à combustão individuais.
Não compreendo nada, nem essa crise de mercados, ora, eu tou fora de qualquer mercado,
então f*dam-se os mercados, your problem.
Vai demorar muito tempo e eu não vou ver, mas deve existir, um dia, um planeta
sem países e sem moeda.
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Por fim, hoje, sol, bicicleta. A maior parte do caminho de casa para o trabalho
está engarrafada. Sempre, aliás. Então, é de uma facilidade passar entre
as máquinas paradas, zunindo. Eu até queria ir mais devagar, porém os obstáculos
me estimulam. Os corredores entre as sucatas são tão estreitos que nem moto passa.
Mas a bicicleta passa. E rapidamente chego ao trabalho.
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A burrice do prefeito e dos seus asseclas continua. Para consertar a buraqueira das ruas,
coloca-se nova camada de asfalto por cima e as ruas estão ficando mais altas que as calçadas. 

Chegará o dia em que haverá escadas para subir da calçada para a rua.
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Pronto.

domingo, 26 de junho de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

2011sc

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Este trabalho de 2011 foi feito com esferográfica sobre pedaço de uma página de revista, mede 10,5x9 cm, seu título é 2011sc. Estou me preparando para viajar, portanto talvez passe algum tempo sem atualizar o blog. Pretendo colocar as atualizações e fotos da viagem apenas no Recife Daily Photo.
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quarta-feira, 18 de maio de 2011

2011nr

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Este trabalho de 2011 foi feito com esferográfica sobre pedaço de uma página de revista, mede 11,5x10,5 cm, seu título é 2011nr. Estou me preparando para viajar, portanto talvez passe algum tempo sem atualizar o blog. Pretendo colocar as atualizações e fotos da viagem apenas no Recife Daily Photo.
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sábado, 14 de maio de 2011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

terça-feira, 10 de maio de 2011

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Desenho 20110200

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Desenho, título 20110200, esferográfica sobre papel reciclado de agenda, 15x21 cm, 2011.
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domingo, 8 de maio de 2011

Desenho

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Desenho, título 20110504, esferográfica sobre papel reciclado de agenda, 21x29 cm, 2011.