domingo, 30 de agosto de 2009

viagem-zinha


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caro,
olha essa foto, parece uma cabeça de melancia. estou em garanhuns. fiz aquele roteiro que enviei o mapinha ontem, com uma pequena alteração: não entrei para água preta.
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então eu queria entrar em água preta porque tive uma amiga que estudava em recife e era de lá. e eu queria ver a cidade. pra comparar: tive uma amiga que também estudava em recife e
era de camocim de são félix, no caminho que vai para bonito, então toda vez que passo por camocim me lembro dela, ângela.
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então, saí de recife às 10:10, depois de abastecer e segui pela br101, como havia dito. a duplicação tá uma bosta, ou seja tudo incompleto e não há nenhum trecho em que a coisa funcione.
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há trechos terríveis, esburacados demais. mas não houve nenhum trecho de perigo. essa moto, que é feita para o off-road, passou bem por todos os lugares, com buraco ou sem.
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passei escada e ribeirão. como raramente uso a br101, foi curioso ver em ribeirão o mesmo terminal rodoviário, e o mesmo posto de gasolina onde na primeira viagem de bici que fiz, nós passamos a noite, o grupo de três, eu, fernando e ricardo.
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primeiro tentamos dormir no terminal rodoviário mas tava ruim, daí deitamos em baixo de um ônibus estacionado no posto de gasolina ao lado.
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de manhã, levamos o maior esporro do dono do ônibus pois ele ia fazer o bicho funcionar e se mover, a gente em baixo, loucura.
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de qualquer modo, a zona da mata, os mares de canavial, são belos. as encostas cortadas e cheias de cana. pasto e bois.
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me pergunto por que uma colina cheia de pasto verdinho e alguns boizinhos e vaquinhas brancos ou malhados, por que essa cena, essa imagem nos/me comove tanto, por que chama a atenção
do olhar? o bucolismo, a utopia?
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chegando em palmares, não há estrada, péssimo, somente buracos, é de se andar a trinta km/h. resolvi não entrar em água preta, a amiga não estaria lá, nem sei onde ela estaria hoje em dia,
era só sentimentalismo besta.
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estrada para catende.
depois, pega-se a esquerda em direção a quipapá e canhotinho. agora uma bela estrada.
vale a pena conhecer essas duas rodovias estaduais, a pe126 e a pe177. a estrada é simples, mas em bom estado, muitas curvas, muitas subidas e descidas, mais subindo, muitas belas paisagens.
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saindo de palmares e depois de deixar a bifurcação de catende para trás, passo pela cidade de jaqueira. tem uma bela situação, o rio piranji passa por ali, estava volumoso. havia um encontro de cavaleiros e cavalos na cidade. o rio piranji, barrento, encontra-se mais adiante com o panelas
e ambos se juntam ao rio una.
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assim que começamos a sair da zona da mata entrando pelo agreste e começando a subir, a temperatura muda, e se antes eu sentia calor, comecei a sentir o vento frio. mas havia sol forte
e fazia calor quando se parava a motocicleta, para uma foto por exemplo.
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as cidades se sucedem, a paisagem muda. jaqueira, são benedito, quipapá. aparecem montes feitos de rocha, e água escorre desses montes e, frequentemente, atravessa a estrada. depressões profundas, vales, estradinhas, fazendas, igrejinhas.
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depois canhotinho e depois angelim, são joão e garanhuns. cheguei às 13:35, ou seja cerca de três horas e vinte minutos para percorrer 245 km. vim devagar, aproveitando a estrada, a paisagem e fazendo algumas poucas fotos.
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fui ao hotel, vi o quarto, e saí para almoçar. a moça do hotel recomendou um restaurante chamado varanda, perto daqui. comi uma picanha, e estava boa, com duas cervejas long neck
para comemorar mais essa. a sobremesa, um pudim de leite. e somente isso.

sábado, 29 de agosto de 2009

pequena viagem


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caro,
hoje sábado uma trilha em aldeia, você certamente haveria
de ter gostado. de bicicleta.
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uma outra trilha que pretendo fazer, e marcar para breve
com o pessoal do pedal, será saindo de gravatá, estrada de
barro o tempo todo, passando por mandacaru, passando por
uruçu-mirim, chegando em sairé.
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de sairé, pegando a rodovia e descendo a serra até bezerros
e de bezerros voltando à gravatá pela br-232.
em breve.
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amanhã, domingo, irei para garanhuns, onde vou passar a
semana, a trabalho, pela região lá. vai uma equipe. irão
quatro carros, mas eu, para ir e para voltar, irei de moto
que fica mais divertido.
não parece trabalho.
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para variar o caminho, em vez de ir pela 232, penso ir pela
101 e ver a quantas andam a duplicação.
em palmares, entra-se para quipapá e chego a garanhuns.
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fica um pouco mais longo o caminho, mas acho que será
muito mais divertido, o que você acha?
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depois te direi como foi a viagenzinha, esta.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

são joão, pernambuco


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existe em pernambuco uma cidade chamada sao joao, eu nem sabiaque existia tal lugar. e o tal lugar foi escolhido para eu ir até láa trabalho, na semana que vem..precisando eu ir lá antes, hoje, para preparar a área,poderia, me repito, ir no carro do trab com motorista.
preferi, mais uma vez ir de motocicleta..com sinceridade, indo de motocicleta não parece trabalho, pareceum dia de lazer, sair da cidade ir passear na estrada, nas montanhasno verde no agreste, etc..saindo de recife, de casa, cedinho, 7 horas. na br 232, céu azul no topo,nuvens brancas no horizonte.subida da serra das russas, como sempre.parada breve no rei das coxinhas, sem comer, só para prendermelhor a mochila, com papéis, que levava.passa gravatá, bezerros e caruaru.
não há a menor dúvida, minha, do tipo de vento completamente diferente depois da serra e antesda serra.antes da serra, vento fresco, morno que refresca.depois da serra, vento frio, que penetra e contrai o maxilar.mas cabe falar para vc que em outras épocas do ano se pegavento quente pesado abafado no agreste e sertão.agora agosto é que tá assim.em são caetano, breve parada para abastecer.entrada à esquerda, saindo da br232 duplicada para a br 423 simples que leva a garanhuns.
sem dúvida, essa estrada é muito menos interessante que a estrada que levaa bonito. a de bonito, cheia de curvas e de paisagens, montes.essa, cheia de retões enormes, paisagem plana.de qualquer forma, as cidadezinhas que se sucedem, distraem,divertem da monotonia dos retões.cachoeirinha, lajedo, jupi, jucati..chego a garanhuns, entro à esquerda, estrada para palmaresuma rodovia estadual, a pe 177..
mais um pouquitim de estrada, 20km e chego em sao joao.cidadezinha de nada, nadica. pequena, 22 mil habitantes,não sei onde.um açude ou lago no meio (existirá diferença entre açude e lagolaguinho???)fui de um estirão só, quase sem paradas, cheguei às 10 e pouquinho.10 e 15 digamos então, 3h e pouquinho, 240km.faço o trabalho que era para fazer, limpo a área.

no outro dia, começo a voltar.
céu azul com muitas nuvens e chuviscos, às vezes.de sao caetano em diante, estrada duplicada de novo.
desço para recife parando vez em quando.paro em um posto de caruaru, e em um de vitória. um picolé em cada um.abaixo da serra das russas, vento morno, passa o frio que é lá em cima.mesmo com a roupa de proteção.foram 482km percorridos.
isso, essa pequena aventura,serve tambem para mim, para que eu saiba, comprove, que dá parafazer uma viagem de moto, percorrendo 400 ou 500 km por dia,sem problemas, sem excessivo cansaço. pegando 10 dias de fériaspode-se viajar por exemplo de 4 a 5 mil km.chegando em casa, então, para comemorar, duas bohemias long neckvendo a tarde cair, no fiteiro, caldinho de feijão, dois sanduíches depernil. um dia quase perfeito..observação: a viagem de motocicleta desperta os mesmos comentários que asviagens de bicicleta...........é loucura.........é perigoso...........se eu pudesseeu faria (podem mas não fazem)....eu queria fazer mas tenho medo........tenho um (primo, irmão, conhecido...) que faz isso também.......
foi assim e é só isso.

trilha em Bonito-PE



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embora as fotos já digam muito do que foi feito, eis a descrição.
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encontro às cinco e meia na jaqueira. uma van com reboque, 14 cicclistas
do pedal clube com suas bicicletas. todos realtivamente bem preparados,
acostumados a pedalar e a trilhas.
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parada no rei das coxinhas, um lanchinho de dez minutos.
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chegada em bonito.
eu e dalonio os que ja conheciam a trilha, os outros nao conheciam.
eu e dalonio entao decidimos subir pela trilha que contorna a pedra do
rodeadouro, descer para as cachoeiras, voltar e descer para a cidade pela
estrada de paralelepipedo.
(foi o sentido contrario do que fizemos quando vc foi a bonito)
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deixamos a van no bonito plaza hotel, saimos do hotel e pegamos a trilha,
a trilha segue subindo, suavemente, e contornando a IMPRESSIONANTE
pedra do rodeadouro.
uma montanha que é uma única pedra, como se deus brincasse com pedras
pedrinhas e d eixasse algumas por aí. montanha pedra. the rock.
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enfim a trilha começa a subir de vez, empinada, subida total parede.
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jomar subiu na frente e subiu tudinho pedalando, eu cheguei la em segundo,
mas sem competir nem me orgulhar disso, fui subindo devagar, errei alguns trechos
e parei e quando vc para em uma subida federal dessas, vc nao consegue se recolocar
em movimento, entao caminhava um trecho até encontrar trecho menos íngreme que
pudesse subir na bicic de novo.
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cheguei lá em cima e o povo foi chegando, rosaly foi uma das que pedalou
subindo quase tudo.
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descemos e pegamos a trilha para as cachoeiras
aqui é tudo descendo, rápido inclinado e perigoso.
passamos pela pedra em que caih de moto, eu nao caí
dessa vez mas jomar caiu, sem consequencias, aquela pedra eh muito escrota
e escorregadia, nao pode freiar ali.
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descemos ate' a cachoeira barra azul. banho. um b ando de crianças.

e essa epoca do ano, os rios estao com mais volume e as cachoeiras estao fortissimas.

a gente nao consegue quase se aprocximar do local da queda dagua, mesma.

entao comecamos a subir de volta, subimos e fomos para a cachoeira da pedra redonda.
mais banhos divertidos, fotos, etc.

subimos mais para a cachoeira vue da noiva.
dai escalamos a lateral da cachoeira, carregando as 14 bicicletas, fizemos umz fila de
formiguinhas passando as bicis de um pra outro ate que todas estivessem la em cima.
um trabalho do cao chupandno manga.
foi foda.

la em cima, alguns desceram fazendo rapel.
subimos mais e tomamos banho em uma piscina natural bacaninha que tem la.

subimos mais e voltamos para a estrada principal.
mais 4km pesadissimos subindo e depois a descida pelos paralelepipedos
que vc ja conhece.
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na descida, foi divertido, na minha frente felip e bolha, eu querendo me aproximar e passar,
atras de mim, dalonio, tentando chegar e me passar.
nessa descida cheguei aos 62 km/h. como eu conhecia bem a descida, estava levandio
vantagem sobre os outros dois.
fui me aproximando de felipe e sempre cuidando olhando para tras se dalonio estava chegando.
em uma curva que eu conhecia bastatne bem, felipe diminui muito para fazer a curva,
eu ja estava bem perto e passei por dentro. e dalonio restou ficar tentando
se aproximar de felipe.
chegando ao hotel, banho chuveirao da piscina e almoço, uma fome do cao.
volta para recife e somente isso.

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terça-feira, 30 de junho de 2009

uma vida perfeita


recife 20090630 0817
ricardo caminhava e pensava sobre o jogo de xadrez.
ele havia estacionado o carro no estacionamento pago localizado há duas quadras de seu local de trabalho. o bairro onde trabalha é o mais antigo da cidade e concentrar bancos e órgão dos governos, e muitos prédios sem utilização, abandonados. alguns prédios foram demolidos e deram lugar a estacionamentos. um caminho central, vagas de ambos os lados, cobertas de telhas de amianto em ambos os lados. o responsável pelo estacionamento, durante o dia, é um negro de altura mediana. chama-se jacinto. deve ter trinta e poucos anos. o terreno onde se situa esse estacionamento é de esquina e vai de uma rua à outra. em uma das ruas ligadas pelo estacionamento, ricardo tem observado um fenômeno curioso. duas das casas daquela rua foram compradas e transformadas em residências. belas residências, as casas são largas de portas e janelas largas, de primeiro andar, espaçosas. há automóveis estacionados no térreo, onde antigamente eram as cavalariças, o estacionamento das carroças e cavalos. ele imagina que foram estrangeiros ricos - outra cultura, não assustada com a violência urbana - ou ricos brasileiros dispostos a experimentar.
ricardo é solteiro e pensa que gostaria de morar assim, nesse bairro antigo, ou na cidade mais antiga que existe perto da sua, há dez quilômetros de distância. ele se diz solteiro, pois não gosta da palavra "separado", ele não vê o separado como estado civil. ele pensa que "separado" é um tipo de aviso às mulheres incautas, ou seja, avisa-se que aquele homem virá, solteiro, mas acompanhado de ex-mulher, ex-sogra e talvez filhos. ele sonha, se permite sonhar um pouco morando em uma casa antiga em uma cidade antiga, e sonhos geralmente esquecem cupins infiltrações rachaduras, coisas que acompanham cidades e casa antigas.então, voltemos, ricardo deixou o carro no estacionamento e, mesmo enquanto j á fechava a porta, pensava nos jogos de xadrez que está jogando. ele sempre joga cerca de dez partidas de longa duração. ricardo fechava a porta do carro e pensava que deveria ter conduzido sua vida como se conduz uma partida de xadrez, analisando, refletindo, evitando os erros, pelo menos os mais graves, os mais evidentes. mas ele não conseguiu agir assim, foi conduzindo sua vida de forma aleatória, absurda, e agora isso, esse naufrágio completo.ricardo pensa em seu amigo jw, pensa nele como a pessoa que mais conseguiu se aproximar daquilo que seria uma vida conduzida com a racionalidade de uma partida de xadrez. uma pessoa que conseguiu desviar de todas, quase todas, as armadilhas que o adversário, ou o destino, foi preparando para ele ao longo da vida. uma vida perfeita.
mas ricardo sabe, também, que a vida dos outros sempre nos parece perfeita.

das coisas perdidas

ricardo hoje está se despedindo do mundo. hoje em dia. ele vem se despedindo do mundo - assim como o personagem de roth em "fantasma sai de cena". exit ghost.
ricardo, você já sabe, não lê jornais, não vê notícias de tv, mais relê que lê, mais ouve as velhas músicas que as músicas novas.
naquilo que se refere a algo assim chamado arte contemporânea, ele hoje não tem mais nenhum interesse nisso, nem mesmo curiosidade. ele se interessa por boa arte, se houver, bidimensional de preferência, desenho e fotografia, ambos em preto e branco, de preferência.
hoje, ainda, ele parece prescindir da aprovação de qualquer pessoa, pares ou não, amigos ou não.
ele simplesmente desenha e desenha e quando está disposto escaneia e coloca em álbum virtual para que os desconhecidos vejam. não avisa a amigos ou conhecidos, não tem interesse em expor, não tem interesse no mundo real, qualquer deles.
não tem mais interesse no mundo cotidiano real, se houver, de aspirações, de bravatas, de fortes emoções. suas maiores lutas se desenvolvem em dois campos: no papel com a caneta nanquim preta e no tabuleiro de xadrez.

domingo, 28 de junho de 2009

fantasma sai de cena - trecho


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henrique sábado domingo. dias que passaram em branco. henrique fez desenhos, esses ele ainda não escaneou. entabulou jogos de xadrez. leu livros, trechos. pensou na morte próxima. pensou na morte que se aproxima. sonhou com a morte, era uma mulher. a mulher, que era a morte, no sonho, se aproximava da cama na qual henrique dormia. ao mesmo tempo em que dormia via que a mulher se aproximava da cama. ela se curva um pouco para acordá-lo, e na vida real, o sonho acaba, ele acorda. sonhos sempre esquisitos, misturam tempo espaço.
outro sonho. existe uma mulher, não é a morte-mulher, uma mulher que na vida real ele não conhece, mas no sonho conhece e parece que conhece há muito tempo. há um sensação dolorosa de tempo. de querer aquela mulher há muito tempo. no sonho, ele tenta falar com a mulher muitas vezes (muitos dias? em um só dia?). o sonho é angustiado, ele não sabe onde a mulher está, não consegue lhe falar. não sabe se ela dorme, não sabe se está morta, não conhece o quarto em que ela dorme, se dorme.
depois de tentar falar-lhe tantas vezes, procurá-la, consegue encontrá-la, é uma sala de paredes de vidro com cadeiras pretas. henrique está sentado em uma das cadeiras, ela está na sala mas ele não a vê, ouve apenas sua voz. discutem. ele diz que estava angustiado, preocupado, sem saber dela, sem saber se estava viva ou morta. ela diz que ele é quem se afastou e a deixou só, ela responde com uma frase que encerra o sonho, e quando henrique acorda essa frase fica ressoando na sua cabeça. ela disse:
"tudo que tenho é a sua ausência".
henrique encontrou o seguinte trecho no livro de roth, "fantasma sai de cena":
"(...) desde que voltara ao quarto, só fizera me sentar diante da pequena escrivaninha junto à janela, olhar para o trânsito da 53rd street e registrar mais uma vez, no papel de carta do hotel, o mais depressa possível, a conversa que eu não tinha tido com jamie. no meu caderno de tarefas eu anotava o que tinha feito e o que precisava fazer, para ajudar a memória cada vez mais fraca; esta cena de diálogos jamais ocorridos registrava o que não fora feito e não ajudava nada, não aliviava nada, não realizava nada. no entanto, tal como na noite da eleição, me parecera terrivelmente necessário escrever assim que entrei no quarto, pois as conversas que não tive com ela me emocionam mais do que as conversas que tivemos de fato, e a "Ela" imaginária ocupa um lugar intenso no meio da personalidade dela que a "ela" verdadeira jamais ocupará.
mas o quociente de dor que a gente sofre já não é chocante o bastante para não precisar de uma amplificação ficcional, que dê às coisas uma intensidade que é efêmera na vida e que por vezes chega a passar despercebida? não para algumas pessoas. para umas poucas, muito poucas, essa amplificação, que brota do nada, insegura, constitui a única confirmação, e a vida não vivida, especulada, traçada no papel impresso, é a vida cujo significado acaba sendo mais importante."

sexta-feira, 26 de junho de 2009

o leitor - bernhard schlink - 2


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"- pegue o outro!
ao lado da torneira estavam dois baldes, ela apanhou um deles e o encheu. eu apanhei e enchi o outro e a segui pela porta. ela levantou o braço, a água jorrou na calçada levando o vômito para a sarjeta. tirou o balde da minha mão e lançou mais água sobre a calçada.
ela se endireitou e viu que eu estava chorando.
- menino - disse admirada - menino.
ela envolveu-me nos braços. eu era pouco mais alto do que ela, senti seus seios no meu peito, cheirei na estreiteza do abraço meu hálito ruim e seu suor fresco e não sabia o que devia fazer com os braços. parei de chorar.
perguntou-me onde eu morava, pôs os baldes na entrada e me levou para casa. andou ao meu lado, uma das mãos segurando a minha pasta e a outra sobre o meu braço. a distância não é grande da bahnhofstrasse até a blumenstrasse. ela andava depressa e com uma decisão que me tornava fácil manter o passo. em frente de nossa casa despediu-se.
no mesmo dia, minha mãe trouxe o médico que diagnosticou a hepatite. em algum momento, contei à minha mãe sobre a mulher. não acredito que a tivesse visitado se não fosse isso. mas para minha mãe era evidente que eu, logo que pudesse, fosse comprar com meu dinheiro um buquê de flores apresentar-me e agradecer. desse modo, fui no fim de fevereiro à bahnhofstrasse."

quinta-feira, 25 de junho de 2009

carol



H fez desenhos. colocou desenhos no álbum virtual. leu leu leu, viu filmes. no cinema. em dvd. na manhã do sábado, desenhava e ouvia música,samba, samba. salve a mocidade. carol vai sair e diz já volto. delicadamente, H explica a carol que ela não vai voltar já. delicadamente, H explica a carol que a quantidade de atividades que ela se propõe a fazer incorpora uma quantidade de tempo real, numérica, contável, presumível, e que carol está fantasiando quando diz volto já. delicadamente, H explica a carol que obviamente não vai esperá-la, que o sábado, o sol, o azul, pedem rua, caldinho, cerveja, bar. delicadamente, H mostra a carol os minutos somados que ela gastaria para cada atividade, que na fantasia dela significavam volto já, que somados resultaria em quatro cinco horas. carol, insegura, carol por saber que H vai dar no pé, vai pegar o mundo enquanto não morre - essa é a quase constante explicação dele ultimamente - carol cancela atividades, resume -se a uma atividade e diz, então, volto já. H avisa ainda, da porta, quando ela sai, que é possível, é bastante provável que quando ela voltar ele já estará no mundo, no bar, na cerveja amarela gelada e que ela o procure lá, deixa a vida me levar. carol diz ok.

H termina atividades de desenho-arte-pernosticismo, seu amigo F está por perto, perto eu digo é em algum bairro por perto, H diz apenas caldinho, F diz ok, H desce do vigésimo andar, o habitáculo, e encontra seu amigo F ao pé da rua. H preferiria ir buscar o mundo, a realidade azul de uma manhã de sábado, na beira da praia, mas devido a leis de beber-pilotar-dirigir-morrer-matar, devido a que F está por perto, ficam por perto. a cerveja do rótulo antigo, falso antigo, amarela gelada no copo americano, o caldinho. F e H. carol chega pouco depois, ela conseguiu acreditar na realidade dos minutos e do tempo, acontecimento raro. carol, F e H. F tem assuntos para resolver e se vai. carol e H c onversam, H levanta seu cabelo preto e beija-cheira seu pescoço, onde deveria haver uma tatuagem. caldinho. e pedem um arroz de polvo, e claro H não pode deixar de pensar em seu amigo JW (jaydaboliú) e fala sobre o arroz de polvo de maracaípe, os dois melhores que ele - parcamente - conhece, o de maracaípe e esse do neno.

fim da manhã-tarde de sábado. a realidade, o mundo.
está tudo lá fora.

o leitor - bernhard schlink



"aos 15 anos eu tive hepatite. a doença começou no outono e terminou na primavera. quanto mais frio e escuro o velho ano se tornava, mais fraco eu ficava. só com o novo ano houve uma melhora. janeiro foi quente, e minha mãe instalou minha cama na varanda. eu via o céu, o sol, as nuvens e ouvia as crianças brincando no pátio. em uma tarde de fevereiro ouvi um melro cantando.

em meu primeiro passeio, andei da blumenstrasse, na qual morávamos no segundo andar de um prédio imponente construído na virada do século, até a bahnhofstrasse. foi ali que eu havia vomitado, em uma segunda-feira de outubro, no caminho da escola para casa. já havia alguns dias que eu estava me sentindo fraco, mais fraco do que nunca em minha vida. cada passo me exigia um grande esforço. quando subia escadas em casa ou na escola, minhas pernas quase não me aguentavam. também não queria comer. mesmo quando me sentava à mesa com fome, logo sentia náuseas. de manhã acordava com a boca seca e com a sensação de que os meus órgãos estavam pesados e fora de lugar. envergonhava-me estar tão fraco. envergonhei-me especialmente quando vomitei. isso também nunca me havia acontecido na vida. minha boca se encheu, eu tentei segurar, apertando os lábios, a mão diante da boca, mas saiu tudo por entre os dedos. então me apoiei no muro de uma casa, olhando o que havia vomitado a meus pés, e cuspi um líquido claro e pegajoso.

a mulher que cuidou de mim o fez de um jeito quase bruto. ela pegou meu braço e me levou pela porta escura da casa até o pátio. em cima, havia varais esticados de janela a janela e roupas penduradas. no pátio, armazenava-se madeira. em uma oficina aberta, a serra rangia e as farpas voavam. ao lado da porta para o pátio havia uma torneira. a mulher abriu a torneira, lavou primeiro minha mão e então jogou no meu rosto a água que tinha mantido nas mãos em concha. enxuguei o rosto com o lenço."

quarta-feira, 24 de junho de 2009

o nome dele


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(o desenho acima parece um mapa, feito com a cruzinha de soma que vem naqueles modelos de letrinhas)
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H é a inicial do nome dele. na verdade, às vezes o chamo de john, sei que isso é pernóstico, essas coisas em inglês, é muito pernóstico fazer um desenho, por exemplo, e colocar o nome do desenho em inglês, é pernóstico chamar um personagem de john também. pernóstico, diz o dicionário, é presumido afetado pretensioso pedante. vou ter que me policiar para ser menos pernóstico. eu o chamo de H, às vezes de john, se não me engano já chamei de robert também (outro pernosticismo).
H é a inicial do nome dele, que é henry, pernóstico de novo. henry eu escolhi por causa do dentista personagem de roth em -avesso da vida- pois quando nathan está escrevendo sobre seu irmão henry, ele coloca assim: H fez isso, disse isso, etc. durante algum tempo chamei H de john por conta de algumas semelhanças entre ele e john lennon, especialmente a insegurança permanente, a vida sem objetivo, eu estava lendo a biografia de lennon nessa época.
H também poderia se chamar, é uma boa idéia até, ralph. no livro de bernard schlink, "o outro", ralph é o amante de lisa e ralph é o personagem que torna as coisas mais bonitas do que são, torna os acontecimentos mais artísticos, mais literários, mais musicais.
H é algo assim, um ralph, misturando real e ficção, se isso é possível - no sentido de se saber se um "real" existe mesmo, de mermo, de cum força..bernard schlink, outro que está me fixando, ou fixando Henry, dois livros, lemos os dois, "o leitor", "o outro".

domingo, 21 de junho de 2009

fantasma sai de cena - philip roth


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essa imagem acima, um desenho virtual criado no longínquo
ano de 2005, outubro, é um mapa onde, em amarelo,
aparece o caminho que vai da casa onde H morava até o
cemitério da sua cidade.
em azul, o rio capibaribe.
parece ser uma boa imagem para acompanhar o parágrafo
do livro "fantasma sai de cena", de philip roth, que vou
transcrever, já que esse livro fala do final da vida, do final
das aspirações, talvez.
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seguem o primeiro e o segundo parágrafos:
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"fazia onze anos que eu não ia a nova york. com exceção da viagem a boston para remover uma próstata cancerosa, eu passara aqueles onze anos praticamente sem sair de casa numa estrada rural nos montes berkshire, e além disso pouco lia jornal ou ouvia o noticiário, desde o onze de setembro, três anos antes; sem nenhuma sensação de perda - apenas, no início, uma espécie de ressecamento interior - eu deixara de habitar não apenas o mundo maior mas também o momento presente. o impulso de estar nele e fazer parte dele, eu já havia matado muito antes.
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agora, porém, peguei o carro e fui até o mount sinai hospital, em manhattan, uma distância de duzentos e dez quilômetros, para consultar um urologista que se especializara em uma técnica voltada para milhares de homens como eu, vitimados pela incontinência urinária causada pela cirurgia da próstata. introduzindo um cateter na uretra e injetando uma forma gelatinosa de colágeno no ponto onde o colo da bexiga se encontra com a uretra, ele havia conseguido melhoras significativas em cerca de cinquenta por cento de seus pacientes. não era uma estatística muito animadora, ainda mais porque as "melhoras significativas" não passavam de um alívio parcial dos sintomas - a incontinência grave se transformava em incontinência moderada, ou a moderada em leve. assim mesmo, como os resultados obtidos por ele eram melhores do que os de outros urologistas que empregavam mais ou menos a mesma técnica (não havia nada a fazer sobre a outra sequela da prostatectomia radical que eu, como dezenas de milhares de pacientes, não tivera a sorte de evitar - lesão dos nervos resultando em impotência), fui a nova york para consultá-lo, quando me considerava adaptado havia muito tempo às inconveniências práticas da incontinência."

quinta-feira, 18 de junho de 2009

me alonguei, perdão


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recife 2009 junho 17 quarta-feira.
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reler me traz novas observações que eu não havia
observado antes.
releio sem motivo.
quando não comprei um novo livro, ainda, como agora,
pego o primeiro que aparece na frente, lá em casa.
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o avesso da vida, que estou relendo, relendo saltando e salteado,
era bom até fazer um esqueminha do livro, que pode ser melhor
do que irei fazer aqui.
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em um capítulo, henry teve maria como amante, tem wendy,
e morre em uma cirurgia cardíaca aos trinta e nove anos apenas.
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em outro capítulo, henry escapa da morte após a cirurgia,
mas cai em depressão, o médico diz que cirurgia cardíaca dá isso,
uma depressão imensa, às vezes.
com isso, ele abandona tudo relativo a sua vida pregressa.
meu amigo médico disse que isso é verdade:
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"quanto à cirurgia cardíaca é fato a questão da depressão,
pois além da grandiosidade do procedimento,
o paciente se questiona sobre várias coisas que às vezes
têm grande valor subjetivo
(o tórax é aberto, o coração é invadido, etc.)
e a recuperação é um pouco dolorosa.
além disso, muitos pacientes tem a personalidade alterada
após o procedimento, ficam mais agressivos,
outros mais pessimistas e outros, paradoxalmente, mais felizes.
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em outro capítulo, é o irmão de henry que morre
durante cirugia cardíaca.
em outro capítulo, é o irmão de henry que conhece e se apaixona
por maria.
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porém, essa maria, apesar do nome e de alguma semelhança
com a primeira, é personagem diferente.
a maria de henry descobre prazer no sexo anal com henry,
justamente, com o marido ela não fazia,
e a maria de henry curte o fetiche, assim como roupas especiais,
corpetes.
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a maria do irmão de henry, não tolera sexo anal,
não quer de forma alguma e não entende esse troço
de fetiches, vestir alguma fantasia.
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me alonguei, perdão.